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Existe idade certa para ser um bom profissional?
 

Eu fui ao médico com meu marido porque ele tinha uma consulta marcada, mas levou um tombo na noite anterior e acordou com o braço paralisado de tanta dor, daí eu achei melhor ir dirigindo. Nós dois ficamos muito bem impressionados com o endocrinologista e ao sair do consultório, meu marido começou a especular qual era a idade do médico. Eu calculei e disse: 45 anos, o que é uma ótima idade para um bom profissional.

Existe idade certa para ser um bom profissional? Não, mas a maturidade pode ajudar um bocado em todas as profissões, e o excesso de maturidade pode atrapalhar.

Por exemplo, quando você vai numa nutricionista recém formada, ela olha para você como se fosse um novo projeto profissional, e joga uma dieta daquelas de arrepiar os cabelos. Me lembro de um colega de academia apavorado porque a nutricionista criou um plano alimentar no qual ele tinha que comer, na hora do lanche da tarde, seis jabuticabas. Jabuticaba não é uma fruta que você encontre o ano todos e seis jabuticabas não alimenta ninguém. Eu mesma já enfrentei regimes em que a nutricionista colocou no lanche da tarde, duas castanhas.

Um profissional recém formado ainda não vê as limitações do seu paciente ou cliente, ele acha que deve aplicar aquilo que aprendeu na faculdade e ponto final. Esse profissional pode ser médico, dentista, advogado, engenheiro, enfim, vale para todas as profissões.

Agora, quando você vai num profissional que está no meio da carreira, digamos que com uns 15 anos de profissão, ele já tem consciência que o seu paciente não vai seguir um regime tão restritivo ao ponto de exigir que ele coma apenas duas castanhas. Este profissional já tem noção da realidade e sabe até que ponto pode levar o seu cliente.

Também não aposte num profissional em fim de carreira, por mais nome que ele tenha, pois já entrou naquela fase do tanto faz, ele tem a sensação que sabe de tudo e já não liga muito para a situação do seu cliente.

Por exemplo, meu divorcio foi feito por um advogado que tinha sido meu professor na faculdade de direito. Ele era tido como uma sumidade, daqueles que para entrar no escritório você tinha que deixar um saco de dinheiro com a secretária. Só que essa sumidade me fez perder e muito na divisão de bens. Ele sabia no que ia dar, ou acreditava que sabia, e fez corpo mole. Meu ex-marido pagou o que quis por uma empresa que nós tínhamos construído juntos, e o valor não chegou nem a um quinto do que eu poderia e deveria ganhar. Cada vez que eu argumentava com o meu advogado que o ex estava escondendo uma criação de gado que ele comprou com o nosso patrimônio, que ele estava apresentando uma avaliação da firma totalmente fictícia, e que foi feita apenas por ele e pelo advogado dele, sem que o meu advogado despregasse a bunda da cadeira para providenciar um avaliador que contestasse, tudo que ele dizia é que eu não tinha como provar o alegado. Como assim? Eu era casada em comunhão parcial de bens e mesmo se eu não fosse casada, a lei me daria o direito à meação por ter construído aquele patrimônio junto com o ex!

Não teve jeito, por causa de um profissional já cansado e desgostoso da vida, perdi muito no divórcio, mas, como dizia um antigo anúncio de um cartão de crédito, me livrar do ex, não tinha preço, e eu perderia tudo de novo só para me libertar daquela prisão.

Embora existam exceções, hoje, quando eu procuro por um profissional, se puder escolher, escolho aquele que está no meio da carreira, não tão iniciante ao posto de acreditar que vai mudar o mundo, nem tão próximo à aposentadoria que já não acredite que nada no mundo possa ser mudado.

Buda já dizia que os extremos devem ser evitados e que o caminho do meio é sempre a melhor escolha. E não é que ele estava certo?


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